Mais infoProdutora: VanillawareEditora: AtlusLançamento: 15/05/2018Plataformas: , , , Género: ,

Depois do seu sucesso na PlayStation 3 e PS Vita, chegou a vez do memorável “beat-em-up” Dragon’s Crown Pro tentar a sua sorte na PS4. Nesta sua nova vida, aparece com resolução 4K e possibilidade de Cross-Play na família de consolas PlayStation. 

Lançado no pico de sucesso da geração anterior, Dragon’s Crown destacou-se pelo seu grafismo e por trazer de volta o estilo de combate que títulos comos Guardian Heroes ou Streets of Rage nos habituaram. Graças a este seu anterior sucesso, com a ajuda do poder adicional oferecido pela PlayStation 4 e pela subsequente PS4 Pro, a Vanillaware pode revisitar a sua grande aventura, dando-lhe mais conteúdo de encher o olho numa remasterização. Ao invés de se chamar “Remastered” ou algo do género, a produção chamou esta reedição de “Pro”. E é bastante apropriado que vejamos os prós… e os contras.

Dragon’s Crown Pro leva equipas com um máximo de quatro jogadores a atravessar uma campanha repleta de intrigas, masmorras e, claro, dragões. Tudo se desenrola através de um narrador invisível, que nos vai contando a história e o que devemos fazer. Primeiro, somos encarregados de trazer equilíbrio ao poder de um reino e, mais tarde, defender esse mesmo reino de um temível dragão que ameaça destruir tudo. Será necessário a cooperação entre os vários membros da equipa de modo a restaurar e manter a paz. E, se possível, apanhar algumas moedas pelo caminho. A vida está cara…

Criado pelos moldes do género clássico de “beat-em-up”, com alguns elementos de RPG à mistura, o combate em Dragon’s Crown Pro é essencialmente uma mistura de murros, armas e feitiços. Tudo serve para abrir caminho através das centenas de inimigos que são enviados para impedir o nosso progresso. Tendo em conta que é baseado no mesmo motor da sua versão original, porém, estes movimentos nem sempre são fluídos. O combate tem momentos em que notamos alguns atrasos, com o tempo de resposta a nem sempre corresponder aos nossos comandos. Isto é mais notório quando tentamos fazer combinações mais rápidas. E este é um problema que persiste desde a última geração.

Pode ser jogado cooperativamente até um máximo de quatro jogadores, seja localmente com quatro comandos ou através da Internet. Nesta última opção, pode ser jogado com amigos em consolas diferentes dando uso à funcionalidade cross-play, que permite interligar as PS3, PS Vita e PS4. Cada um dos jogadores poderá escolher entre seis personagens, três baseadas em ataques corpo-a-corpo, duas baseadas em feitiços e magias e por fim (a minha favorita) uma Elfa que privilegia o ataque à distância mas também é capaz de ataques corpo-a-corpo, tornando-se implacável com a ajuda do seu arco e da sua agilidade. Todos têm a sua árvore de habilidades e jogabilidades diferentes.

Mas, não desesperem se forem mais anti-sociais. Nada vos impede de jogar com quatro guerreiros ao mesmo tempo, se assim entenderem. E, ao longo da aventura e sempre que estiverem ligados aos servidores do jogo, vão deparar-se com os ossos de outros jogadores que morreram naquele local. Uma clara herança de alguns Souls-like que por aí andam, como já devem estar a imaginar. Só que há uma diferença clara: podem ressuscitar o cadáver do herói como um companheiro de inteligência artificial para vos ajudar. Portanto, nunca vão mesmo jogar sozinhos.

A aventura não demora mais que dez horas através das nove masmorras disponíveis. E, enquanto a história se desenrola, é desbloqueado um novo caminho em cada uma das masmorras. Podemos considerar este segundo trajecto como um nível totalmente novo, com novos tesouros, outras armadilhas e outros bosses. Como estes bosses guardam os talismãs necessários para derrotar o dragão no final da aventura, terão de jogar todos estes níveis pelo menos duas vezes.

Depois de cada masmorra, os jogadores podem voltar à cidade para vender e comprar novas armas. No entanto, se tentarem a sorte na próxima masmorra sem esta paragem, ganharão mais moedas, as loot drops serão de melhor qualidade e a pontuação é depois convertida em experiência através de um calculo feito sobre a percentagem do nível de dificuldade. Tenham só atenção à longevidade das vossas armas, é melhor levarem algumas a mais, para não terem de voltar à cidade tantas vezes para reparações.

Assim que derrotarem o dragão, surge um novo nível de dificuldade que promete mais e melhor equipamento. A habilidade de cada jogador é testada através de duas torres que interligam os níveis da campanha de forma aleatória, torna-os mais desafiantes. Contudo, este modo não dá grande incentivo para voltar a repetir tudo e serve apenas para aqueles que procuram um desafio acrescido quando acabarem o jogo.

Como já devem estar a calcular pela descrição acima, o grande problema de Dragon’s Crown está na sua repetição. A dado momento, estarão num incansável grind a repetir os mesmos níveis, até porque alguns bosses intermédios exigem que evoluamos mais as personagens. Claramente, esta não é a melhor estrutura para manter os jogadores envolvidos.

Visualmente o jogo é um regalo para os olhos. Todas as personagens, animações e cenários foram desenhados à mão e quando vistos uma PlayStation 4 Pro têm uma definição que não se encontra em jogos deste género. Para acompanhar o novo grafismo, a banda sonora foi gravada novamente com o apoio de uma orquestra. Se por algum motivo quiserem, também há a possibilidade de trocar a nova banda-sonora pela música original.

Veredicto

Dragon’s Crown Pro mantém-se como um dos melhores e mais memoráveis beat-em-ups da actualidade, inserindo alguns elementos de RPG pelo meio. Esta fórmula torna o jogo realmente mais viciante, mesmo que passadas umas horas o grind se instale pela repetição. Os recém-chegados encontrarão aqui um clássico moderno que não devem ignorar, isto se forem fãs do género, claro. Para aqueles que já investiram uma horas nesta aventura nas geração anterior, não encontrarão muito mais que o seu grafismo melhorado com resolução 4K e a nova banda sonora. E é só isso que tem de “Pro”.