Mais infoProdutora: Team NinjaEditora: Square EnixLançamento: 30/01/2018Plataformas: , Género:

Sendo fãs dos jogos da série Final Fantasy, todos temos preferência num dos seus heróis ou num dos vilões em particular. A premissa deste Dissidia Final Fantasy NT é podermos voltar à companhia destas personagens mas, desta feita, em frenéticos combates.

A fórmula não é nova e até já tivemos outros jogos Dissidia no passado. O que mais gostava nos jogos Dissidia Final Fantasy e Dissidia 012 Final Fantasy que joguei na velhinha PlayStation Portable era a casualidade com que podia voltar ao jogo inúmeras vezes, só para mais umas sessões de pancadaria. Haviam interessantes histórias a seguir para cada personagem, mas o verdadeiro apelo era jogar sem compromisso, recorrendo à portabilidade da consola. 012 tornou a experiência ainda mais apelativa os lendários pontos de Bravura que temos de “roubar” aos adversários a cada ataque de HP, reiventando a fórmula, quanto a mim de forma brilhante. Infelizmente, depois destes dois jogos, Dissidia teimava em não regressar. Só podia ficar contente por saber que iria chegar agora à PS4.

Existe, de facto, um enredo para dar algum contexto a estas batalhas. Contudo, não há propriamente um modo de carreira para seguir. Todas as cenas intermédias são desbloqueadas com uma espécie de tokens de forma perfeitamente opcional. Esses tokens são ganhos por atingir objectivos offline ou online e a cada novo nível de uma personagem. Eventualmente, acaba por parecer uma história solta do resto do jogo, como se fosse um enredo paralelo. Isto porque a acção das batalhas, seja online ou offline não está interligada directamente com esta narrativa.

Não há muito para contar, de qualquer modo. Uma vez mais, as personagens são arrebatadas para World B, desta vez num conflito entre a deusa Materia e o deus Spiritus. São também divididas novamente entre os guerreiros de Cosmos e de Chaos, mas a diferença é que estes guerreiros recordam-se dos eventos passados, ao contrário dos jogos anteriores em que estão todos amnésicos. A história desenvolve-se nuns episódios de duração variável em que acabamos por descobrir uma ameaça maior que temos de enfrentar. Infelizmente, a continuidade é proporcional aos episódios que desbloqueamos e não uma progressão baseada na nossa jogabilidade.

Dissida pode-se definir como um Brawler, ou seja, um jogo de combate de arcada em arena, com imensas personagens para escolher. Desde o primeiro Final Fantasy até ao mais recente Final Fantasy XV, o leque de lutadores oscila entre os heróis e vilões mais icónicos deste mítica linhagem de jogos. A principal ideia a reter é que existem duas facções em jogo, logicamente compostas pelos heróis e vilões, cada um com um papel a cumprir em cada combate. Contudo, podemos agora formar equipas de três com qualquer personagem, herói ou vilão, para combater outras três personagens.

Qualquer recém-chegado ao jogo pode ficar algo perdido com o caos que vai encontrar. A quantidade de personagens a escolher pode até nem intimidar muitos, sobretudo se estiverem minimamente familiarizados com os heróis e vilões de Final Fantasy. Também não há muitas teclas para decorar no que toca ao combate, com as personagens a partilhar os controlos e lógicas, mesmo que os poderes e efeitos sejam diferentes. Mesmo assim, o caos visual constante de ter seis personagens a lançar toda a sorte de explosões e golpes, a incerteza de qual o alvo a atacar e porque não estamos a dar dano suficiente, pode frustrar os mais ansiosos.

Felizmente, Dissidia NT tem um interessante tutorial com várias lições essenciais para dominar os controlos e lógicas do jogo. É primordial que dominem, por exemplo, a troca de alvos (L2 ou R2 ou ambos) para que consigam atacar de forma precisa. O mais importante, porém, é perceberem a lógica dos pontos de Bravura. Basicamente, arrancam todos com os mesmos pontos de bravura. A cada ataque de HP bem sucedido, tiramos energia e roubamos esses pontos ao adversário. Enquanto roubamos energia e bravura, aumentamos também o dano dos nossos ataques. E quando passamos o limite do adversário, podemos disferir um golpe final que o elimina.

Outra mecânica essencial é a das Summons. É preciso angariar energia de uns cristais gigantes que surgem em jogo para que possamos chamar um dos seres titânicos que nos podem ajudar a resolver o combate. Contudo, os cristais são comuns às duas equipas e só uma pode chamar o ser gigante. Subitamente, o foco deixa de ser o combate com uma personagem, mas sim a defesa de um companheiro que está a tentar chamar uma Summon. Ou então temos de atacar o adversário que está a tentar o mesmo. Seja como for, estes seres podem mesmo resolver um combate a nosso favor… ou não.

Com todos tutoriais passados, podemos, então passar para a acção e fica bem claro que Dissidia exige dedicação. Uma das coisas que me apercebi é que temos de escolher a nossa equipa cuidadosamente. Os Vanguards são excelentes a defender, os Marksmen são francamente bons em dano à distância, os Assassinos são rápidos a movimentar e a atacar e só os Especialistas me deixaram meio confuso quanto ao seu papel real. Como num jogo de poker, é preciso que tenhamos as cartadas bem decididas. Eventualmente, acabei por encontrar o ponto de equilíbrio em cada equipa com que joguei. E as minhas prestações offline, completando combates de elevada dificuldade contra a inteligência artificial, levaram-me a experimentar o online.

Só que online, muita coisa muda. Não pensem que este é um singelo jogo casual de combate. Há muito mais envolvido que apenas atacar ou defender com personagens que conhecemos bem. Há muita estratégia envolvida, mas acho mais importante o conhecimento dos timings de jogo. Recomendo que dominem muito bem os “dashes”, os bloqueios e as recuperações. Tudo isto para dizer que o nível de dificuldade real deste jogo está online e é lá que irão experimentar todo o seu potencial. Logicamente que é preciso ter em conta o lag de alguns jogadores, mas é algo que já todos sabemos que temos de aprender a lidar.

Como seria de esperar de um jogo de Final Fantasy, este Dissidia NT é um jogo visualmente brilhante. Tenho muita pena que não possamos ver os combates integrados nas tais cenas intermédias. Como um todo, porém, longe vão os tempos das limitações da PSP. E não dou valor apenas ao grafismo cuidado e com o rigor de movimentos e de animações que a Team Ninja já nos habituou. Também as vozes de quase todas as personagens são as dos actores originais de cada capítulo. Já para não falar da brilhante banda sonora que deambula pelos temas tão conhecidos de cada jogo. Este é, claramente, um serviço aos fãs da série.

Veredicto

Dissidia Final Fantasy NT é, para mim, um simpático regresso ao passado. O brawler que adorava jogar quase todos os dias, regressa na PlayStation 4. Perde a portabilidade da PSP mas ganha algumas novidades que expandem a série e lhe dão uma componente mais táctica. Tecnicamente é o que esperamos de um título Final Fantasy, com rigor visual e áudio a condizer. Gostava de um modo de carreira mais convencional, de facto. Mesmo assim, não posso deixar de recomendar este jogo a fãs de Final Fantasy e a todos que procurem um bom jogo de pancadaria caótica.

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