Mais infoProdutora: StudioMDHR EntertainmentEditora: StudioMDHR EntertainmentLançamento: 29/09/2017Plataformas: , Género:

Amantes do retrogaming, de Indies e de ideias originais: parem tudo o que estão a fazer e preparem-se para conhecer Cuphead. Da responsabilidade dos irmãos Moldenhauer do StudioMDHR Entertainment esta bizarra aventura vai viciar muita gente. 

Sempre achei que há um nível médio de dificuldade aceitável para qualquer jogo. Ao serem demasiados difíceis, do género de nos torturar com ecrãs “Game Over” em demasia, quanto a mim, criam duas vertentes de jogadores: a dos persistentes que gostam de desafios complicados e a dos que se frustram facilmente e desistem nas primeiras derrotas. No meu caso, transformei-me de um desistente para um persistente com Cuphead. Como irão ver, este jogo está no limiar da dificuldade que considero aceitável. Por detrás da sua soberba e aparentemente inocente arte visual, esconde-se um jogo torturante que é preciso dominar. Independentemente do resultado de cada nível, ultrapassar cada desafio bizarro que nos mandam para o ecrã é já uma vitória. Curiosos? Continuem a ler…

Como definir este jogo, antes de mais… Na descrição enviada pela produtora, este é um jogo do género “run and gun”. Ou seja, terão de levar personagens de um ponto a outro no mapa, enquanto passam os níveis disparando contra adversários e bosses. Pelo meio, há algumas plataformas e umas quantas secções de perícia para dominar. Só que não pensem que já perceberam tudo quando faço esta descrição tão simplista. Relendo o que escrevi acima, faltou-me dizer que tudo pode ter ou um ritmo frenético ou apostar num padrão de dificuldade que não permite falhas. E não pensem que essa dificuldade vai aumentando progressivamente. Vão mesmo ser bombardeados com inimigos e bosses difíceis logo no início. Mas… esperem lá, isto não é um jogo de desenhos animados?

Desenganem-se se esperam uma história inocente e infantil. Apesar da sua arte de jogo ser inspirada na banda desenhada clássica dos anos 30, tudo parece ter sido retirado de um distorcido pesadelo com algumas das personagens e situações mais estranhas que poderão alguma vez ver num videojogo. Basicamente, Cuphead e Mugman (o primeiro é o protagonista e o segundo é a personagem disponível para o modo cooperativo local) foram jogar a um casino bastante sinistro e… perderam a alma para o diabo. Como não querem morrer no inferno, decidiram fazer um pacto: Vão matar todos os adversários da lista do diabo para pagar a sua dívida. Nada infantil, como podem ver.

Na demanda por reaver a sua alma, Cuphead e Mugman irão passar pelos mais bizarros estágios que há memória num videojogo. O objectivo em cada estágio é matar um elemento da lista, ou seja, um boss. Este pode aparecer num só plano, obrigar a várias fases de combate ou ainda a percorrer um trajecto até o alcançar. Terão de correr, saltar, disparar, desviar e saltar outra vez, por vezes quase de forma instintiva. Para ajudar nesta tarefa, há varias armas e uns movimentos especiais que a cada morte de um dos inimigos recebem a hipótese de evoluir. Mas não pensem que as coisas ficam mais facilitadas com novo equipamento.

A arte de dominar este jogo não está na eficácia ou poder dessas armas. Terminar um nível com sucesso está dependente única e exclusivamente de vocês. A vossa perícia, persistência e capacidade de reacção é que contam. O jogo conta com uma precisão de controlos absolutamente irrepreensível. Tanto no PC com uso do teclado como na Xbox One com o uso do comando Xbox, a resposta é impecável. Não podem alegar lag ou falta de performance no que estão a ver. Se perderam os três míseros slots de vida e morreram, a culpa é somente vossa. Repitam as vezes que forem precisas e quando vencerem irão concluir que, afinal, era possível. Só era preciso concentração e suar mais um bocado.

Os controlos são, de facto, simples, com um botão para disparar, outro para mirar e ainda outro para saltar ou desviar. Parece muito linear, contudo, os bosses oferecem desafios variados e diferentes entre si. Num nível, podemos andar a saltar por plataformas, matando inimigos avulsos até chegar ao desafio final, noutro estamos já perante o boss que nos envia uma hoste de ataques que temos de evitar, disparando ao mesmo tempo. Ainda outro nível obriga-nos a perseguir os inimigos enquanto tentamos acelerar ao lado de um comboio. Enfim, não há aqui muita repetição entre níveis e temos mesmo de dominar os controlos com confiança.

Gostei particularmente de como o jogo castiga os jogadores que não querem grande desafio. Há um modo de jogo chamado Simple e outro chamado Regular. Para já, estes termos são enganadores. Nenhum deles é realmente simples ou regular. O modo Simple é, diria, ligeiramente menos difícil. Contudo, cheguem ao fim desse nível e, não só não terão nenhuma recompensa, como não podem passar pelo final do jogo. Só ficam com o estágio completo se passarem no modo regular. E este, realmente é tudo menos “regular” no pleno sentido. É só mesmo o modo normal do jogo, ou seja, difícil quanto baste. Se têm receio do desafio, definitivamente este jogo não é para vocês.

Se forem como eu, irão oscilar sempre entre o sentimento de cumprimento e a frustração. Cheguei a reiniciar níveis umas boas dezenas de vezes. Não, não há checkpoints para os que morrem em sequência. Também não há muitas explicações sobre o que fazer no dito nível. Contudo, em nenhuma altura achei que Cuphead não merecesse mais uns minutos de jogo de modo a tentar ultrapassar um ou outro nível. Voltei sempre com a ideia que podia fazer melhor a cada tentativa. Uma nova abordagem talvez faça a diferença. Há armas que, por exemplo, causam mais danos ou outras que fazem mira para os adversários, não precisando de pontaria. Experimentem outros métodos e outras tácticas.

Embrulhando toda esta jogabilidade viciante está o tal grafismo realmente interessante que já mencionei e que já viram nas imagens que partilho. Como já disse, todas as animações são inspiradas bela banda-desenhada dos anos 30, usando até os mesmos métodos e técnicas de desenho à mão, logicamente adaptadas à realidade digital. De facto, até os efeitos visuais dos menus são inspirados nesta arte tão peculiar. Transformar uma televisão ou monitor moderno num televisor de há 80 anos é um feito, realmente. E este design também se transfere para a banda sonora e todo o áudio do jogo. Achei particularmente piada a alguém que mencionou num comentário que o áudio tem fraca qualidade, quando era essa a intenção dos autores. Isto é arte, meus caros.

Veredicto

Cuphead é uma agradável surpresa que estávamos a antecipar há algum tempo. Poucos jogos terão esta audácia visual e sonora, criando algo verdadeiramente único. Numa era de repetição e plágio, nada como algo realmente novo. É um jogo difícil que se esconde por detrás de uma “montra” de inocência, repleta de elementos bizarros e distorcidos. No entanto, a sua dificuldade e estranheza deixaram-me rendido. Por entre impropérios e vitórias com alguma dose de sorte, já estava viciado.

Partilhar
Artigo anteriorAnálise – Forza Motorsport 7
Próximo artigoAnálise – Minecraft: Story Mode – Season Two