Mais infoProdutora: Colossal OrderEditora: Paradox InteractiveLançamento: 18/05/2017Plataformas: Género:

Depois de After Dark, Snowfall e Natural Disasters, eis mais uma expansão para o já icónico construtor de cidades Cities Skylines. Desta feita, Mass Transit vem expandir as opções de transportes para os cidadãos, adicionando também novas infraestruturas de suporte.

Ao fim de dois anos de vida, poucos jogos terão grande suporte da produção, muito menos terão um ou outro DLC lançado. Salvo raras excepções, geralmente, nesta altura é lançado um outro jogo, talvez uma sequela ou uma nova versão com muitas novidades ou modificações do original. Contudo, ao fim de dois anos a Colossal Order continua a dar suporte e a lançar novidades para Cities Skylines. Entre alterações gratuitas e novas funcionalidades pagas, este é um jogo tão diferente do original que parece mesmo uma sequela. Sempre foi discutível se os pacotes adicionam algo assim tão relevante ou se mereciam pertencer ao jogo base e não tornadas expansões. O que é certo é que o interesse em jogar mantém-se, algo que não podemos dizer dos jogos originais em que se inspirou, SimCity.

Mass Transit, desta vez, parece mais uma expansão que propriamente uma adição tardia de alguma funcionalidade que devia figurar no início. Já existiam meios de transporte terrestres aéreos e marítimos, é certo, mas ainda faltavam alguns meios mais modernos. E também era notório que as redes de transportes precisavam de uns pequenos ajustes e complementos para se tornarem mais competentes a servir os cidadãos. E, além de adicionar esses novos meios de transporte e infraestruturas especiais para lhes dar suporte, este novo pacote de conteúdo adicional também traz consigo novos cenários interessantes para apurar as nossas capacidades.

E que novos meios de transporte são esses, afinal? Autocarros e táxis possuem algumas limitações de acesso e exigem boas redes de estradas sem grandes congestionamentos. O metro exige obras dispendiosas e o comboio obriga a linhas férreas próprias. Com o monorail, passa a ser possível transitar de forma rápida, com a fluidez destes meios mas com linhas muito simples de construir e manter. E se não bastar, o Teleférico também permite simpáticas deslocações, talvez mais lentas mas até atraem turismo e tudo. Mas há mais novidades noutros tipo de transporte.

Como os aviões precisam de enormes aeroportos onde a vizinhança se queixa do ruído, nada como um novo dirigível para ligar cidades de forma eficaz e sem a preocupação de criar estradas ou linhas complexas de caminhos-de-ferro. A vossa cidade está à beira mar? Quer ligá-la a uma ilha ou outra cidade costeira? Então o ferry boat é a melhor opção. Estes dois meios não são particularmente rápidos, mas removem muito do peso das vias estradas e ferrovias já existentes. Podemos até criar rotas específicas cuja complexidade varia apenas pela vossa imaginação.

Por terra, mar ou ar, as novas opções de transportes são, por um lado, práticas e úteis, mas por outro, são também panorâmicas e dão mais e melhores opções. Notem também que estes novos meios são também mais amigos do ambiente. Apesar disto parecer algo secundário, a gestão da poluição e das emissões é muito importante neste jogo. Não só previne gastos com saúde dos cidadãos, como os deixa mais contentes pelo ar mais puro. E todos sabemos que metade do sucesso de um presidente de câmara neste jogo é satisfazer os cidadãos com bons acessos e melhor gestão.

Para acomodar os novos meios de transporte, é também agora possível modificar estradas para receber os monorails (que funcionam um pouco como os eléctricos que já conhecem). Todos os novos meios obrigam também a estações especiais e centrais para alojar os novos veículos quando estão fora de serviço, chamados depots. Todos os novos edifícios dedicados foram modelados com imenso rigor e é inevitável fazer zoom a alguns deles quando estão em funcionamento. Diria que até há algo quase terapêutico a olhar para uma estação de teleférico a funcionar ou a um dirigível passear majestosamente pelo ar.

Contudo, para mim a maior e mais relevante adição deste DLC são os novos hubs de ligação. Imaginem um grande centro de transportes em que é possível ter uma paragem ou estação que possui ligação com outros meios. É uma mais valia preciosa para servir áreas críticas. Por exemplo, ligar duas cidades por comboio e na estações ter ligação para monorail para outras áreas críticas. Os passageiros nunca precisam sair da estação. Ou então ter um terminal de autocarros numa estação de monorail que liga dois bairros. Eficaz e bem pensado, mesmo que os edifícios sejam enormes e algo caros de manter.

Notem, porém que precisam de atingir 9000 cidadãos até que estes novos terminais e hubs estejam disponíveis. Isto não é problema para adaptar cidades já feitas, contudo, por causa de alguma falta de espaço que possam sentir nessas cidades previamente construídas, poderão ter de criar novas metrópoles. Se assim for, vai demorar um pouco até que tenham dinheiro e população suficiente. Por outro lado, há algumas questões relacionadas com a lógica de alguns novos edifícios que precisam de alguma atenção. Uma dessas questões prende-se com o dirigível que precisa sempre um depot para o armazenar. Não serve rigorosamente para mais nada senão isto. Um dirigível não pode ficar ancorado num aeroporto ou num dos terminais? Enfim.

Ainda nesta expansão, preparem-se para novos cenários desafiantes. Para quem não sabe, estas são cidades pré-estabelecidas que apresentam três novas situações que o jogador terá de resolver. Com este novo DLC, como seria de esperar, teremos diversas situações em que teremos de ligar cidades já construídas com uma competente rede de transportes. Embora uma delas seja algo simples, começando uma linha de comboios de raiz, a outras duas removem-nos o fardo da criação de uma cidade de raiz, obrigando-nos a focar mais nos meios de transporte. Poderão começar por estes cenários se não quiserem passar pelo processo moroso de crescimento de uma cidade. É um bom “showcase” das novidades.

Com esta nova expansão, mesmo que não a comprem, todos os jogadores terão também uma actualização gratuita muito interessante. Embora não faça parte do DLC em si, vale a pena referenciar que, com esta actualização, as estradas receberam bastante atenção da produção. Agora, quando construirem estradas, já não precisam confiar no “golpe de vista” uma vez que existem linhas guia que ajudam bastante na orientação das estradas. Assim ficam garantidas estradas rectas, em plano ortogonal ou simplesmente proporcionais, algo que antes nem o sistema de grelha ajudava muito. Há outras novidades com esta atualização, mas esta, para mim, foi uma das melhores adições em dois anos de construções esquisitas, com estradas mal desenhadas.

No plano técnico, devo dizer que Cities Skylines continua exemplar, apesar da sua idade. Não houve particulares avanços tecnológicos para esta expansão, mas a produção tem trabalhado no jogo a nível do grafismo e interface nos últimos meses. O resultado é um jogo visualmente deslumbrante, sobretudo graças ao já conhecido ciclo de noite e dia de After Dark e à meteorologia incerta de Snowfall. Claro que os desastres naturais oferecem mais efeitos visuais fantásticos, sobretudo envolvendo o tal modelo de água irrepreensível do jogo. Como já disse, este DLC propriamente dito adiciona os tais veículos e edifícios que já louvei anteriormente pelo rigor técnico. Adicionem mods via Steam Workshop e terão um jogo soberbo, garantidamente.

Veredicto

A expansão destes meios de transporte pode soar a redundante. E, para todos os efeitos, nem todas as cidades da vida real possuem monorail ou dirigíveis. É discutível se são eficazes, também. Contudo, ter outras opções de transporte já veio solucionar muitos problemas de metrópoles modernas. Mais do que isso, Mass Transit também adiciona excelente hubs de interligação de meios. Testem os cenários para verem como são eficazes e simplificadores. Juntem a isso umas quantas novidades via actualização gratuita e Cities Skylines continua absolutamente essencial para os amantes deste género tão peculiar.

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Gamer convicto, adepto do jogo pela experiência e não pelo valor comercial, especializa-se nos jogos de acção na primeira pessoa, desporto e simulação. Saibam mais...

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